Mulheres na fotografia: 10 fotógrafas para se inspirar

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A presença das mulheres na fotografia ocorre desde a sua criação. Embora não tão famosas quanto os seus colegas masculinos, elas tiveram papel fundamental para que a fotografia se tornasse o que é hoje. Explorando diferentes possibilidades com olhar e sensibilidades únicas, elas também foram capazes de revolucionar e encantar o mundo.

Hoje em dia, mulheres são maioria em cursos de fotografia e atuam em todas as áreas. Mas certos preconceitos persistem. Segundo o relatório anual da World Press Photo, elas ainda enfrentam diferenças de salário e são minoria em número de profissionais.

Felizmente, nada disso impediu — nem impede — mulheres de se destacarem em diferentes áreas. Neste texto, inspire-se com elas: conheça um pouco da história e do trabalho de dez mulheres que marcaram o mundo com suas câmeras.

1. Constance Talbot

Constance foi uma entusiasta da fotografia ao lado de seu marido, William Henry Fox Talbot. Considerado o inventor do negativo com o processo da calotipia, Talbot contou com a ajuda de sua mulher para desenvolver papéis fotossensíveis.

Constance trabalhou junto ao marido desde 1839. Acredita-se que ela foi a autora da primeira fotografia feita por uma mulher: uma imagem de versos do poeta Thomas Moore.

2. Dorothea Lange

A americana Dorothea Lange começou sua vida profissional fazendo retratos em seu estúdio em São Francisco. Porém, com a Grande Depressão americana, sua carreira ganhou outros rumos.

Na década de 1930, Dorothea foi contratada pela Farm Security Administration para viajar pelo país retratando as consequências da crise junto à população rural.

Suas fotos fortes e sensíveis humanizaram a crise e deram rosto e história aos que mais sofreram com a Grande Depressão. Uma das mais importantes mulheres na fotografia, Dorothea deu um tom único à fotografia documental.

3. Gioconda Rizzo

Gioconda foi a primeira fotógrafa profissional do Brasil. Filha do imigrante italiano Michelle Rizzo, Gioconda começou a fotografar aos 14 anos, no ateliê do pai. Pouco depois, ela abriu seu próprio estúdio, o Photo Femina, onde fazia retratos de mulheres e crianças.

Gioconda conquistou sucesso na sociedade paulistana ao abandonar a técnica antiga de retratos de corpo inteiro — ela fotografava as pessoas dos ombros para cima.

A rigidez da sociedade da época a obrigou a fechar seu estúdio, pois era frequentado por cortesãs. Gioconda então voltou ao ateliê do pai e dedicou-se à produção de fotografia sobre porcelana, usada em jóias e enfeites, tornando-se uma pioneira da técnica.

4. Margaret Bourke-White

Margaret Bourke-White começou a fotografar ainda criança, inspirada pela paixão do pai por fotografia. Seu talento a levou a ser a primeira mulher a trabalhar como repórter fotográfica na revista Life, ilustrando inclusive a primeira capa da publicação.

O pioneirismo de Margaret não parou aí: ela também foi a primeira mulher a fotografar zonas de combate, durante a Segunda Guerra Mundial e a primeira ocidental a receber permissão para fotografar o território soviético, nos anos 1930.

Até o fim de sua carreira, em 1952, Margaret viajou o mundo fotografando conflitos e grandes eventos históricos, inclusive uma icônica foto de Mahatma Gandhi pouco antes de seu assassinato.

5. Gerda Taro

O icônico fotógrafo de guerra Robert Capa teve ao seu lado uma companheira igualmente intensa. A alemã Gerda Taro era filha de judeus que fugiram do nazismo e se estabeleceram na França. Gerda conheceu Robert Capa em Paris, e os dois se dedicaram a cobrir conflitos armados.

Na Guerra Civil Espanhola, Gerda fotografou a perspectiva do lado republicano. Suas fotos eram marcantes por sua dramaticidade e proximidade aos assuntos fotografados. Gerda morreu num acidente com um tanque — ela foi a primeira fotógrafa a morrer numa cobertura de guerra.

6. Vivian Maier

Vivian Maier trabalhou a vida toda como babá nos Estados Unidos. Independente e liberal, ela foi uma figura misteriosa. Seu trabalho como fotógrafa ganhou reconhecimento apenas após a sua morte, quando parte de seus pertences foi leiloado e acabou nas mãos de John Maloof, que publicou as fotos.

A fotografia de Vivian mostra a vibração das ruas de Nova York e pessoas de todos os tipos de classe. Com seu estilo único e marcante, Vivian também registrou suas viagens pelo mundo, mostrando as ruas de países na Ásia e América do Sul.

7. Catherine Leroy

Durante a Guerra do Vietnam, a francesa Catherine Leroy, com pouca experiência e apenas uma câmera Leica, viajou para o Laos determinada a cobrir o conflito de forma mais humana do que havia observado até então.

Trabalhando como freelancer, Catherine vendeu suas fotos para a Associated Press e a revista Life. Para a mesma revista, Catherine escreveu uma reportagem relatando suas experiências após ter sido capturada pelo exército vietnamita.

Discreta, Catherine não ficou famosa como outros fotógrafos de guerra, mas foi muito premiada, sendo inclusive a primeira entre as mulheres na fotografia a receber o Robert Capa Gold Medal Award.

Ela cobriu conflitos em diversos outros países, até que no Líbano foi sequestrada e decidiu abandonar a fotografia de guerra, dedicando-se ao jornalismo e à moda.

8. Eve Arnold

A filha de imigrantes russos Eve Arnold só ingressou no mundo da fotografia aos 35 anos. Ela começou a fotografar para a revista Life e, pouco depois, ingressou na prestigiosa Agência Magnum, criada por Henri Cartier Bresson e Robert Capa, sendo a primeira mulher a conseguir esse feito.

Com sua carreira dedicada ao fotojornalismo e à fotografia de moda e de celebridades, Eve tinha um olhar sincero e natural. Deu atenção a grupos marginalizados, mas também capturou o glamour de Hollywood. Sua série de fotos de Marilyn Monroe tornou-se um de seus mais famosos trabalhos.

9. Claudia Andujar

Nascida na Hungria, Claudia Andujar era filha de um judeu e uma protestante. Após perder toda a família por parte de pai durante a Segunda Guerra Mundial, Claudia deixou a Europa e, em 1955, já morando no Brasil, deu início a sua carreira como fotógrafa.

A fotografia, para ela, era como um meio de comunicação, já que ela ainda não falava o português. Depois de se estabelecer profissionalmente, Claudia entrou em contato com o povo indígena Yanomami e, junto a eles, realizou seus mais famosos trabalhos.

As fotografias de Claudia são extremamente ricas ao mostrar os índios sem exotismo. Ela os vê simplesmente como seres humanos.

10. Cláudia Regina

A brasileira Cláudia Regina aprendeu a fotografar por conta própria, depois de trabalhar num estúdio. Especializada no retrato de mulheres, Cláudia evita todo tipo de manipulação que torne suas modelos menos reais: ela não usa retoques, nem cores e nem mesmo orienta as mulheres quanto a poses.

Cláudia busca provar que padrões nada tem a ver com a verdadeira beleza. Ela também é autora do site Dicas de Fotografia, no qual oferece a fotógrafos novatos informações das quais sentiu falta durante a sua própria formação.

Conhecer a história das mulheres na fotografia é importante, não apenas para valorizar o passado, mas também para garantir que o futuro será ainda mais rico, pois essas, e muitas outras fotógrafas, são uma grande fonte de inspiração para novos artistas. Foi graças à sensibilidade e à força das mulheres que apostaram na fotografia que essa forma de arte foi capaz de conquistar o mundo.

O que você achou da nossa lista sobre as mulheres na fotografia? Deixe sua opinião nos comentários, contando para nós qual é a sua fotógrafa favorita!

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