Descomplicando o enquadramento: 5 dicas para nunca mais errar!

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Para a alegria de todos e felicidade geral da nação, neste post estamos descomplicando o enquadramento, trazendo para você 5 dicas de práticas, coisas às quais você deve ficar atento e até algumas regrinhas para que esse bicho de 7 cabeças vire seu bichinho de estimação.

O enquadramento pode ser um verdadeiro pesadelo para fotógrafos por todos os cantos. Parte disso se deve ao fato de que é algo que depende muito da nossa sensibilidade, do nosso olhar, o que não é aprimorado assim, da noite para o dia. Outra parte é porque é um dos grandes responsáveis por fotografias realmente espetaculares — é por causa dele que grandes fotógrafos são reconhecidos e aclamados.

Buscando um conteúdo que te ajude a nunca mais errar no enquadramento? Você veio ao lugar certo! Acompanhe com a gente!

1. Escolha a lente certa

A primeira regra para acertar o enquadramento é planejar seu ensaio com antecedência. Sim, isso mesmo que você ouviu! Antes de sair para fotografar, monte o ensaio na sua cabeça, levando em consideração todos os elementos, como nicho, roupas, cenário, paleta de cores, storytelling, etc.

Ok, mas o que isso tem a ver com o enquadramento? Se você vai fotografar uma cliente gestante na casa dela, no próprio quarto, por exemplo, e planeja fazer algumas fotos contraluz dela na janela, de silhueta, pegando o corpo todo, é preciso que antecipe que provavelmente você terá pouco espaço de recuo.

E aí? O que acontece se você chegar lá apenas com uma lente 50mm ou 35mm? Você provavelmente não vai conseguir fazer a foto que planejou. Preveja esse tipo de situação para ter certeza de que seu equipamento está adequado. Nesse caso, uma boa opção seria uma 28mm.

Já se o seu nicho é fotografia newborn, o ideal é usar lentes com ângulos mais fechados, já que o recém-nascido é muito pequeno e, mesmo a uma distância próxima, caberá dentro do seu enquadramento de qualquer forma. Usar uma lente com ângulos mais abertos pode fazer com que o bebê fique distante e pequeno, tirando a força da proximidade do rostinho da criança.

Ao fotografar paisagens, use grande angulares, pois o campo de visão dessas lentes é bastante abrangente e com elas é possível enquadrar todo o cenário.

2. Use espaço negativo e elementos do cenário para criar molduras

Chegue na locação onde você vai fotografar fazendo um reconhecimento de campo. Olhe em volta, simples assim! Identifique quais elementos existem ali, suas cores e formatos, e como você pode acrescentá-los no enquadramento e onde você e seu motivo precisarão se posicionar para que você consiga aquela foto que imagina.

A técnica de composição conhecida como framing, que significa emoldurar, consiste em usar elementos em diferentes planos, dentro do seu enquadramento, para criar um tipo de moldura em volta do seu motivo principal. Você também pode usar o mesmo princípio para fazer vinhetas.

Um exemplo de como fazer isso é fotografar alguém que está em um cômodo diferente de você enquadrando também a porta que os separa. A porta formará uma moldura em volta da pessoa, o que, além de ficar visualmente interessante, ainda direciona o olhar para o seu motivo principal. Outra forma de fazer este enquadramento dentro do enquadramento é usar espelhos nas suas composições.

Observe não apenas seu modelo e os elementos do cenário, mas também o espaço negativo que se forma entre eles. Tente posicioná-los formando espaços negativos interessantes. Isso pode ser a diferença entre uma foto bonita e uma foto realmente complexa, bem pensada e impactante.

3. Cuidado com o corte nos retratos

Uma dúvida muito frequente de fotógrafos e um assunto super relevante em relação ao enquadramento, principalmente em retratos, é sobre os cortes: onde fazê-los? Essa é uma preocupação que tem sua razão de ser, pois um corte mal feito em um retrato pode estragar completamente sua foto.

A fotografia é uma arte e, por isso, quase tudo o que aprendemos sobre ela é subjetivo — e as regrinhas de corte também se encaixam aí. No entanto, dificilmente você vai querer ou precisar fugir delas. E eu explico o porquê: fazer cortes nos lugares errados causa uma estranheza muito grande e prejudica a harmonia da foto.

Portanto, no seu enquadramento evite cortar:

  • as pontas dos dedos dos pés e das mãos;
  • o braço na altura do cotovelo;
  • no meio das coxas;
  • abaixo do joelho;
  • na altura do calcanhar.

Cortes no quadril e cintura, logo acima dos joelhos e nos braços, um pouco abaixo do ombro, estão liberados!

4. Observe o uso do primeiro e segundo planos e de ângulos corretos

Posicione seus motivos sabendo o que é mais importante, o que deve chamar mais a atenção, e use os diferentes planos para destacar essa hierarquia.

Em um casamento, por exemplo, imagine que você vai clicar os noivos no altar, mas vê que a mãe da noiva está à direita, no primeiro banco, chorando e sorrindo de emoção, e você quer acrescentá-la ao enquadramento.

Uma maneira de fazer isso seria enquadrar os noivos, para contextualizar a emoção da mãe, mas desfocar o primeiro plano, direcionando o olhar para a expressão dela, pois é ela quem traz significado para a foto. Escolha uma posição para fotografar que incorpore todos os elementos desejados, mas saiba hierarquizá-los.

Já no que diz respeito ao ângulo das fotos, cuidado para não usar um ângulo que não seja condizente com a sua imagem. Ao fotografar gestantes, por exemplo, evite usar ângulos baixos, pois esses aumentarão muito a barriga e rosto, destacando as características erradas.

5. Explore as regras de composição para enquadrar melhor e as use também como elementos narrativos

Busque simetria, padrões, reflexos e linhas que direcionem o olhar. Use a regra dos terços. Busque contraste entre os elementos. Leve em consideração como nós, do ocidente, fazemos a leitura das coisas, da esquerda para a direita, na hora de dispor os elementos dentro da sua imagem. Todas essas regras que já estamos carecas de saber também são partes essenciais da construção de um enquadramento ideal.

Se você está fotografando uma montanha com um lago embaixo, que exibe um lindo reflexo da montanha, enquadre o lago! Se você os enquadrar de forma simétrica, então, de forma que a montanha ocupe a metade de cima da foto e o lago com o reflexo ocupe a metade de baixo, imagina que foto incrível!

Lembra que eu falei lá em cima sobre a importância de escolher bem a sua lente? Essa importância surge novamente aqui, pois vai ditar o uso de uma dessas regras de composição, que é a perspectiva.

Para usar perspectiva, teste seu equipamento antes e saiba qual lente usar, porque cada tipo vai afetar a imagem de formas diferentes. Algumas lentes alongam, enquanto outras achatam. Se você não souber como as lentes que você tem se comportam e que tipo de efeito causarão, não conseguirá clicar a foto que deseja. Para criar perspectiva em suas fotos, busque pontos de fuga.

Usar essas técnicas e aprimorá-las, por si só, já trará mais qualidade ao seu trabalho. Mas aqui vai outra dica: escolha o enquadramento de forma que faça sentido dentro do seu storytelling, ou seja, escolha um enquadramento que ajude a contar a estória da sua foto. Isso não só deixará suas fotos mais profissionais, como trará um nível de sofisticação artística ao seu trabalho.

Estude as imagens dos grandes nomes da fotografia! Nomes como Bresson, Capa, Lebovitz, Salgado, etc. são verdadeiros mestres do enquadramento. Beba dessa fonte! É preciso praticar para melhorar, mas se você não sabe o que deseja atingir, nunca conseguirá chegar lá. A teoria é de extrema importância aqui, não a subestime, ok?

Descomplicando o enquadramento, a qualidade da sua fotografia vai melhorar exponencialmente. Implementando essas dicas você certamente conseguirá fazer isso e, aos poucos, trabalhar seu olhar para fazer fotografias cada vez mais incríveis, complexas e artísticas, que realmente impressionam seus clientes.

Ainda tem dúvidas e se sente inseguro em relação ao seu enquadramento ou outros aspectos da sua fotografia? Entre em contato com a gente, podemos lhe ajudar!

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